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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Problemas na escola vêm de casa?

Estudo revela que os tipos de problemas apresentados na escola pelas crianças estão diretamente ligados à dinâmica familiar


Ambientes familiares pouco equilibrados prejudicam o comportamento das crianças fora de casa. Mas um recente estudo da Universidade de Rochester, em Nova York, procurou explicar como são estes efeitos. Os pesquisadores dividiram as famílias infelizes em dois grupos: de um lado, ficam as famílias frias e controladoras e, de outro, aquelas conflituosas e intrometidas.
Foto: TV Globo/Renato Rocha Miranda
"A Grande Família" retrata confiança e respeito: modelo de família coesa
Nos três primeiros anos de escola, as crianças que convivem com o primeiro grupo – as famílias frias – têm cada vez mais problemas, que vão de comportamentos agressivos a depressão e alienação. Já o segundo grupo – famílias intrometidas – causa ansiedade e afastamento nos pequenos. “Famílias podem servir de apoio para crianças que entram na escola – ou podem ser fontes de estresse, distração e comportamentos inadequados,” declarou Melissa Sturge-Apple, coordenadora da pesquisa e professora-assistente de psicologia da Universidade de Rochester, ao site da instituição.

Com duração de três anos, o estudo examinou padrões em 234 lares que tinham filhos de 6 anos de idade e identificou três perfis de famílias: uma feliz (chamada de coesa) e duas infelizes (classificadas em não-comprometidas ou entrosadas).

Dá para reconhecer as coesas por suas relações harmoniosas, calor emocional e papéis firmes, porém flexíveis, para pais e crianças. Um exemplo deste tipo de relação é a família de Lineu e Nenê no seriado “A Grande Família”. Apesar dos problemas, eles estão sempre prontos para ajudar os filhos e têm muito amor e respeito um pelo outro.

Famílias disfuncionais

Foto: TV Globo/ Divulgação
Marta é assombrada pela filha em "Páginas da Vida": mãe controladora e fria é característica da família não-comprometida, que leva crianças à agressividade
Uma família entrosada pode estar envolvida emocionalmente e demonstrar carinho, mas também apresentar níveis altos de hostilidade, intromissão destrutiva e pouca percepção da família como um time. O filme “A Sogra”, com Jane Fonda e Jennifer Lopez, mostra uma mãe que ama o filho e se sente no direito de atrapalhar seu noivado para não perdê-lo – esta é uma família entrosada. Durante o estudo, os filhos vindos deste tipo de família entraram na escola com comportamentos parecidos aos de famílias coesas, mas com o tempo passaram a apresentar níveis altos de ansiedade e sensação de solidão e alienação. 

Já as famílias não-comprometidas são marcadas por relacionamentos frios, controladores e distantes. Um caso que ilustra este tipo de família é o de Marta (Lília Cabral), a fria mãe de Nanda na novela “Páginas da Vida” (2006). Ela desaprovou a gravidez da filha e rejeitou a neta com síndrome de Down. Crianças vindas destes tipos de família começam a vida escolar com níveis altos de agressividade e maior dificuldade para aprender e cooperar com as regras da classe – e este comportamento destrutivo cresce à medida em que as crianças avançam na escola. “Frieza geralmente gera depressão, que pode ser externada com agressividade. É como se a criança estivesse se vingando dos pais através da escola”, explica a psicopedagoga Maria Irene Maluf.

Trabalhar em equipe

Para chegar a estas conclusões, os psicólogos analisaram como os pais se relacionavam entre si, notando se havia agressividade e distanciamento, e observando suas habilidades de trabalhar como uma equipe na presença da criança. Os cientistas decodificaram a disponibilidade emocional dos pais em relação aos filhos, se ele ou ela elogiava e aprovava ou simplesmente ignorava os pequenos durante atividades compartilhadas. Os observadores também perceberam como a criança se dirigia ao pai e à mãe, notando se as tentativas de se aproximar deles eram breves e superficiais ou sustentadas e entusiasmadas.

Os autores do estudo enfatizam que outros fatores, além de família desestruturada, podem levar a comportamentos problemáticos na escola. Vizinhanças violentas, escolas despreparadas e traços genéticos também determinam se as crianças terão ou não dificuldades no aprendizado.

Resistir ao retorno pode ser só uma manha passageira ou indicar situações mais graves. Para cada caso, há uma recomendação











É hora de dar adeus aos dias de folga e voltar à rotina com aulas, tarefas de casa e trabalhos escolares. Algumas crianças estão com saudades dos colegas e das atividades, mas outras não podem nem ouvir falar em volta às aulas sem ter uma dor de barriga instantânea. Como os pais podem lidar com a criança que resiste a voltar das férias?
O primeiro passo é descobrir o que esta resistência quer dizer. "O 'não quero ir para a escola' pode ter vários sentidos", alerta a psicoterapeuta Ana Gabriela Andriani, doutora em Psicologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Pode ser apenas uma recusa natural e passageira à ideia de voltar a acordar cedo, ter menos tempo para brincadeiras e mais responsabilidades - do mesmo tipo que qualquer adulto sente ao terminar as férias e encarar a volta ao trabalho.
Outras vezes a resistência se apresenta mais constante, tendo aparecido inclusive antes das férias. Nesse caso, o motivo pode estar escondido em uma mudança na rotina escolar: troca de professora, de classe ou de escola ou até mesmo ameaças de bullying. "O diálogo com a escola é fundamental", define Ana Gabriela. Só assim os pais podem entender se a resistência à volta às aulas é só manha ou se esconde algum problema mais sério.
A pura e simples manha, aliás, também pode ser acolhida. Afinal, quem é que gosta, seja adulto ou criança, de voltar das férias? "Acolher a manha não significa permitir que a criança não volte para a escola", diz Ana. Basta conversar com a criança e explicar que esta preguiça é natural, que todos sentem, mas que nem por isso podemos ficar em casa para sempre.
João David Cavallazzi Mendonça, psicoterapeuta familiar, concorda. "Precisa dar à criança o direito de sentir preguiça e sentir vontade de nao acordar - embora isso não signifique em absoluto que ela vá poder dormir até tarde e faltar às aulas".
Agendas lotadas
Não querer voltar para a escola pode ser um alerta para um problema muito comum entre as crianças de hoje: o excesso de atividades extracurriculares impostas pelos pais. A garotinha que faz balé às terças e quintas, natação às quartas e sextas e piano às segundas e sábados certamente vai sentir muita falta de um mês em que teve tanta tempo livre - um verdadeiro artigo de luxo para ela.


Dicas práticasOs pais se esquecem de que tempo livre, para uma criança, significa tempo para brincar. E brincar é essencial. "A brincadeira é fundamental para o desenvolvimento social, cognitivo, afetivo, da criatividade. A criança precisa de tempo para ser criança", ressalta a psicoterapeuta.


Para que a transição da rotina seja o mais suave possível, João sugere que os pais estabeleçam uma mudança gradual. Se a criança está dormindo mais tarde e acordando mais tarde, que tal, alguns dias antes do retorno à escola, já colocá-la mais cedo na cama - e acordá-la mais cedo também? O ideal é aproximá-la ao máximo da rotina que volta em breve, tanto em horários de sono como nos de refeições.
Incluir a criança na preparação da volta às aulas é outra ideia. "Peça ajuda para lavar a mochila, preparar os uniformes, comprar o material de reposição", indica o psicoterapeuta. Vale também ler um trecho de um livrinho ou apostila que será solicitado no segundo semester - tudo para que seu filho vá se habituando com a presença destes elementos de volta ao seu dia a dia.


http://delas.ig.com.br/filhos/meu+filho+nao+quer+voltar+das+ferias+e+agora/n1237732143167.html

terça-feira, 20 de julho de 2010

A dor do crescimento...

Não sobrecarregar seu filho com muitos exercícios físicos pode ser a saída para evitar a dor noturna que aparece sem motivo

"Dor de crescimento": como lidar com este problema?















Além do xixi na cama e da vontade de tomar mamadeira, há outro motivo que pode fazer o seu filho acordar durante a noite: a chamada “dor de crescimento”. Sem explicações aparentes, a dor aparece e pode levar alguns pais ao desespero, levando o filho ao pronto-socorro, ou à descrença, achando que é invenção da criança.

Contrariando a crença popular, o ortopedista Nei Botter Montenegro, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, explica que a “dor de crescimento” não ocorre exatamente pelo crescimento ósseo de crianças e adolescentes. “Na infância, a grande maioria das queixas de dores noturnas normalmente surgem por causa do cansaço da musculatura, que ainda não conseguiu se recuperar das atividades feitas durante o dia”, explica.

De acordo com o especialista, este tipo de problema pode se iniciar aos três anos de idade e durar até os oito anos, fase em que a criança ainda não possui total consciência corporal. Por esta razão, os pais devem estar atentos: “Se a dor costuma ser em lugares diferentes e a criança continua realizando suas atividades diárias normalmente, sem sentir nenhum incômodo, então esta dor noturna corresponde à chamada ‘dor de crescimento’”.

A frequência com que a dor atrapalha o sono de seu filho também deve ser considerada, principalmente se ocorrer somente em um ponto específico da coxa ou do joelho, por exemplo, o que representa o perigo de existir um problema mais sério na região. Segundo Botter, a “dor de crecimento” não costuma ser contínua e surge durante a madrugada porque é quando a pressão arterial, a frequência cardíaca e a oxigenação dos tecidos diminuem, ocasionando dor onde houver um processo inflamatório ou um músculo cansado. “No dia seguinte, tudo volta ao normal”, revela.

Porém, quando a criança chega à adolescência e vivencia o estirão do crescimento, o motivo da dor se modifica. “Nesta fase, pode haver um puxar excessivo da musculatura nas pontas dos ossos que estão crescendo e surgir uma repercussão dolorosa, em que realmente podemos dar o nome de dor da área do crescimento”, explica Botter.

Segundo ele, esta inflamação é chamada de osteocondrite, e é preciso procurar um especialista para diagnosticar e reorientar as atividades físicas, com diminuição de esforço físico e realização do alongamento da musculatura.

Atividades físicas em excesso
Na infância, a dor muscular, caracterizada como “dor de crescimento”, surge, segundo Botter, do excesso de brincadeiras e de esportes, mas de acordo com o ortopedista pediátrico José Antônio Pinto, do Hospital Leforte, do Grupo Saúde Bandeirantes, em São Paulo, além da menor reserva de energia muscular para atividades físicas, a falta de alongamento muscular adequado também pode ocasionar a “dor de crescimento”.

A Academia Americana de Esportes indica que, para que um esportista não sobrecarregue seu corpo, é indicado realizar somente um esporte três vezes por semana, o que também deve ser considerado pelas crianças e adolescentes: “Essa é uma causa frequente de dor, por isso é preciso captar o quanto a criança está se esforçando nos esportes”, diz Botter.

Embora não seja possível fazer com que uma criança pare de pular e correr por aí, o ortopedista indica que, na infância, os pais devem ter alguns limites para as atividades que os filhos realizam. “Antes de matriculá-los no balé, no tênis e na natação, os pais precisam ter em mente que isso pode sobrecarregá-la, então é melhor fazer uma atividade de cada vez”, explica. Além disso, o alongamento se torna frequentemente necessário antes da prática de atividades físicas e, de acordo com Pinto, a maior ingestão de carboidratos e açúcares diminui as chances das dores aparecerem – ou voltarem a aparecer.

Como tratar?
De acordo com Pinto, a “dor de crescimento” muitas vezes podem apavorar os pais por ser confundida com outros problemas de saúde, como anemia, deficiências vitamínicas, diabetes ou até doenças sanguíneas, mas estes problemas só poderão ser diagnosticados por um médico e, quando existentes, as dores costumam aparecer com mais frequência. “Uma avaliação cautelosa se torna necessária se isso ocorrer, mas descartados estes problemas, os pais devem orientar as crianças do que deve ser feito antes da prática de esportes”, diz o especialista.

Por outro lado, na hora do surgimento da dor noturna, o especialista indica que, uma vez que o problema é diagnosticado, os pais podem realizar massagens e utilizar compressas quentes no local. Dependendo do caso e se a criança já estiver acostumada ao medicamento, um analgésico também pode ser dado, mas somente com orientação médica.

 
Renata Losso, especial para o iG São Paulo
18/07/2010 08:46