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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Transtorno de Conduta




O transtorno de conduta basicamente consiste numa série de comportamentos

que perturbam quem está próximo, com atividades perigosas e até mesmo 

ilegais. 

Esses jovens e crianças não se importam com os sentimentos dos outros nem

apresentam sofrimento psíquico por atos moralmente reprováveis. 

Assim o comportamento desses pacientes apresenta maior impacto nos outros do

que nos próprios. 

O transtorno de conduta é uma espécie de personalidade anti-social na juventude. 

Como a personalidade não está completa, antes dos dezoito anos não se pode

dar o diagnóstico de personalidade patológica para menores, mas a 

correspondência que existe entre a personalidade anti-social e o transtorno de 

conduta é muito próxima. 

Certos comportamentos como mentir ou matar aula podem ocorrer em qualquer 

criança sem que isso signifique desvios do comportamento, contudo a partir de 

certos limites pode significar. 

Para se diferenciar o comportamento desviante do normal é necessário verificar 

a presença de outras características e comportamentos desviantes, a 

permanência deles ao longo do tempo.

O padrão de comportamento no Transtorno de Conduta se caracteriza pela 

violação dos direitos básicos dos outros e das normas ou regras sociais. 



Esse comportamento pode ser agrupado em 4 tipos principais:

1. conduta agressiva que causa ameaça ou danos a outras pessoas e/ou animais;
2. conduta não-agressiva, mas que causa perdas ou danos a propriedades;

3. defraudação e/ou furto e;

4. violações habituais de regras.

Além das circunstâncias em que o comportamento se dá, as companhias, o 

ambiente familiar, os valores e exemplos que são transmitidos devem ser 

avaliados para o diagnóstico. 

O transtorno de conduta é freqüente na infância e um dos maiores motivos de 

encaminhamento a psiquiatria infantil.



Fontes: psicosite / robertexto / wikipédia

domingo, 22 de janeiro de 2012



"Daqui 100 anos, não importa o tipo de carro

que dirigi, o tipo de casa que morei,

quanto tinha depositado na minha conta do banco,

nem a roupa que vesti.

Mas, o mundo pode ser um pouquinho melhor,

porque fui importante na vida de uma criança".

                                                 Anônimo 


 
      


imagens retiradas do Google.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Criança Aprende Com o Convívio

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo  'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos  filhos...  Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

  Passe adiante!
  Precisamos começar JÁ!

 
Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais , torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta aonde vive...
A CRIANÇA APRENDE COM O CONVÍVIO
A criança que convive com críticas aprende a condenar
A criança que convive com a hostilidade aprende a ser agressiva
A criança que convive com o ridículo aprende a ser tímida
A criança que convive com a vergonha aprende a sentir-se culpada
A criança que convive com a tolerância aprende a ser paciente
A criança que convive com estímulos aprende a ter autoconfiança
A criança que convive com elogios aprende a valorizar
A criança que convive com a integridade aprende a ser justa
A criança que convive com a segurança aprende a ter fé e confiança
A criança que convive com aprovação aprende a gostar de si mesma
A criança que convive com a honestidade aprende a verdade
A criança que convive com a aceitação e a amizade
Aprende a encontrar o AMOR no mundo
Dorothy Law Nolte 

Tragédias na mídia!

Nos últimos tempos, temos sido bombardeados, por todas as mídias, por notícias que revelam violências contra crianças praticadas possivelmente por adultos próximos a elas. É uma criança torturada aqui, outra ali, outra que morre lá e assim por diante. E não podemos esquecer que as crianças, hoje, têm acesso a todos os veículos de comunicação e recebem essas informações.

Que sentidos elas dão a esses fatos? Tomemos dois exemplos que chegaram a mim. Uma criança, de oito anos, perguntou à mãe se o pai poderia matá-la quando ficasse muito bravo. Outra, um pouco mais nova, perguntou se iria ficar de mãos amarradas quando fosse ao castigo. Certamente, muitos leitores devem ter passado por experiências semelhantes com seus filhos e seus alunos.

As crianças estão angustiadas com tais notícias porque identificam nelas que os adultos próximos, ao invés de de protetores, podem ser ameaçadores. Justamente aqueles em quem elas depositam a maior confiança se revelam, nas notícias, suspeitos de agir de modo contrário. E agora?

Agora, mais uma parte da infância de nossas crianças fica comprometida, fato cada vez mais banal. Mas será que não se pode fazer nada? Sim, podemos e devemos fazer algo por elas, que, sozinhas, não conseguem entender e expressar toda a angústia que as invade.

A maioria das escolas costuma ignorar o fato de que seus alunos sabem dessas notícias e continuam seus trabalhos como se nada de excepcional ocorresse. Pois todas elas têm recursos para, de alguma maneira, tratar dessas questões. É um bom momento, por exemplo, para oferecer aos alunos, nas aulas de expressão artística, estratégias para dar forma ao que eles imaginam, sentem e pensam sobre tais fatos.

O simples fato de colocar de modo simbólico sentimentos e angústias já aponta pistas sobre outras formas de trabalhar o tema. Depois, é importante que se fale a respeito, sem psicologismos nem interpretações leigas, para que, coletivamente, eles se sintam acolhidos em suas preocupações e aprendam sobre os direitos das crianças e dos adolescentes e os valores sociais da justiça e da responsabilidade com o bem comum.

Para os pais, esse é um bom momento para oferecer aos filhos mais segurança em relação aos vínculos familiares e dar maior relevância aos valores morais e éticos. É muito importante, por exemplo, afirmar que a família ama e respeita a vida, que nenhuma violência deve ser aceita pelos integrantes do grupo familiar, que casos como os noticiados são exceções -apesar de tanto alarde-, que os impulsos agressivos podem ser controlados e, também, estabelecer um diálogo a respeito das opiniões dos pais e dos filhos sobre esses fatos.

Todas as tragédias servem para nos fazer refletir sobre a humanidade e o nosso cotidiano. 

Por isso, é importante que os adultos pensem a respeito das pequenas violências, simbólicas ou reais, que o mundo adulto comete contra os mais novos. 

Afinal: nossas posições demonstram que somos a fim deles ou que estamos mais para ser o fim deles?

Texto retirado na internet

SEJA UM IDIOTA - Arnaldo Jabor

A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.

Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?

Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!

Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele.

Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor,dinheiro,sexo,sincronia, mas pela ausência de idiotice.

Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?

Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas.

E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar.

Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva. 

Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único 'não' realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.

Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

'A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios'.
'
Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche'

Deficiências - Mario Quintana

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Relação mãe-criança

 Relação Mãe-Criança


Essa relação, que se estabelece muito antes do nascimento da criança, ainda dentro do ventre materno, é um evento muito importante na organização da vida psíquica da criança. Por meio dessa relação, a criança vivencia suas primeiras experiências cognitivas, emocionais e também sua socialização.

A mãe, entendida como principal agente de cuidados, é elemento essencial para o desenvolvimento de muitos aspectos da criança, como sua percepção, seus pensamentos, sentimentos e até sua identidade.

Além disso, a criança, enquanto um ser independente, diferente e separado da mãe, participa ativamente dessa relação, uma vez que suas características (fofinha, gordinha, bonitinha, engraçadinha, cheirosinha, pequenininha, inocente, ingênua, espontânea) evocam na mãe comportamentos de responsabilidade e de cuidados, o que acaba por harmonizar e sincronizar a relação.

Quer dizer, na relação mãe-criança, a mãe realiza-se quando cuida, sente-se útil e importante, e a criança progride e desenvolve-se (realiza-se também) quando recebe a atenção e os cuidados da mãe. Esses ganhos mútuos estão presentes desde o início do desenvolvimento social da criança.

Ao refletirmos sobre a maternidade, é comum que nos venha à mente expressões como “instinto materno”, “coração de mãe” e ditados como: “ser mãe é padecer no paraíso”, ou “depois que filho tive, nunca mais barriga enchi”. Vejamos o que pode estar por trás dessas expressões e que acabam por influenciar nossos conceitos sobre a maternidade.

Entendemos por “instinto materno” algo inato e natural que faz com que as fêmeas de diferentes espécies, inclusive da espécie humana, tenham comportamentos de proteção e de afeto em relação a sua prole. Esses comportamentos podem ser observados claramente entre os mamíferos. Nós vemos e achamos uma gracinha a leoa lambendo seus leõezinhos. Nós vemos e achamos admirável a leoa combatendo um predador, como um leopardo, e morrendo em combate para proteger seus filhotes. E achamos que isso é algo natural e inerente do “ser mãe”. O que nos deixa intrigados e chocados são os casos de mães que fazem exatamente o contrário do que nos diz o tal “instinto materno”. Ficamos chocados com mães que abandonam seus filhos, que os negligenciam, que os maltratam, que os matam... O que será que acontece com essas mães? Onde está o instinto materno nesses casos?

Esses casos nos ajudam a afirmar que certamente a maternidade não é composta apenas por um elemento instintivo e natural. Muitos outros aspectos estão envolvidos na experiência da maternidade e ouso dizer que a maior parte dos comportamentos que usamos para julgar se uma mulher é uma boa mãe são comportamentos aprendidos e não inatos ou instintivos.

Isso quer dizer que nós aprendemos a ser boas mães. Como é que nós aprendemos? Na prática, na lida diária com nossos pimpolhos, observando o comportamento de outras mães, ouvindo e lendo histórias sobre a maternidade, conversando com nossas próprias mães, tias, avós... Aprendemos a partir do apoio social dos nossos amigos e dos nossos familiares, das dificuldades que aparecem no dia a dia e que nos obrigam a nos renovarmos, a nos reciclarmos, a nos modificarmos.

Então, o instinto materno certamente existe e exerce grande influência sobre nossos comportamentos de cuidado e de proteção em relação aos nossos filhos. No entanto, nossa relação com nossos filhos vai muito além dessa esfera “natural”. Nossa relação sofre influência marcante da cultura, do ambiente social, religioso, financeiro, da nossa saúde física e mental, do nosso acesso a educação, lazer, trabalho, descanso, dignidade, reconhecimento...

Uma mãe que é desvalorizada socialmente, que sofre cronicamente com dificuldades financeiras ou dificuldades emocionais, que não tem apoio na família, que sofre maus-tratos do marido, que não tem acesso a educação, nem à saúde, nem ao lazer, tem mais chance de ter o “instinto materno” diminuído, anulado ou até abolido.

Agora vamos falar da expressão: “coração de mãe”. Como é o coração de uma mãe? É diferente de outros corações? Nós tendemos a pensar que sim. Quando pensamos na mãe, geralmente associamos a ela a característica de ser fonte permanente de amor, um amor incondicional, que tudo perdoa. O coração de mãe é enorme e abriga muitos filhos. O coração de mãe é acolhedor, quentinho, aconchegante, confortável. Nós sempre vamos encontrar amor, nutrição, carinho e segurança nesse espaço mágico que é o “coração de mãe”. Talvez essa idéia derive da segurança que cada um de nós um dia vivenciou no útero materno...

O paradoxo é que esse coração cheio de amor maternal compõe uma mulher que não é apenas mãe. Essa mulher é esposa, é tia, é profissional, é irmã, é filha também. Portanto, nós, mulheres e mães, temos coração de mãe e vários outros corações dentro do peito: coração de esposa, profissional, irmã, tia, filha... E no peito de uma mulher não existe só amor, mas outros sentimentos como vergonha, raiva, tristeza, culpa, medo, ansiedade, paixão... O que quero dizer é que a mãe que cuida, que abraça, que acolhe, que alimenta e protege também esbraveja, também grita, também chora, também precisa de colo e de proteção. Porque a mãe é humana, simplesmente humana. Nós não ganhamos super-poderes quando nos tornamos mães, embora para a criança possamos ocupar o lugar de heróis. O importante é que na relação mãe-criança, a mulher não permita que seu coração se transforme apenas em “coração de mãe”. No peito da mulher deve haver espaço para baterem os outros corações. Isso é saudável psicologicamente para a mulher e, por isso, extremamente importante para a relação que a ela vai estabelecer com a criança. Mães bem estruturadas psicologicamente contribuem para o bom desenvolvimento psicológico de seus filhos.

Agora os ditados: “ser mãe é padecer no paraíso”, ou “depois que filho tive, nunca mais barriga enchi”. Pode parecer estranho, mas esses ditados denunciam o enorme valor que a nossa sociedade dá ao sofrimento da mulher e ao seu sacrifício. Em outras palavras, vale mais quem sofre mais. Vejam só: ser mãe é padecer no paraíso... quer dizer, ser mãe é sofrer... mas com alguma compensação. E, se não houver o padecimento, talvez não haja acesso ao paraíso. Desse modo, a maternidade é pintada como algo inerentemente sofrido, a partir do qual se alcançará o júbilo, a alegria, a felicidade... O ditado “depois que filho tive, nunca mais barriga enchi”, também fala desse padecimento. Ou seja, eu sofro, eu me sacrifico pelos meus filhos e isso é inerente à tarefa de ser mãe.

Pensando sobre isso, e associando essas idéias à minha própria experiência como mãe e ainda à minha experiência como terapeuta infantil (eu converso com muitas mães), eu percebo que a maternidade envolve sim prazer e sofrimento. Nunca encontrei uma mãe que dissesse que a maternidade só lhe trouxe prazer, sem nenhum nível de sofrimento! Por outro lado, já encontrei mães que relatam que o sofrimento que está presente na relação mãe-criança é muito maior que o nível de prazer... Nesses casos, geralmente, há que se intervir na relação, observar o que é possível fazer para, ao menos, equalizar o prazer e o sofrimento...

De fato, ser mãe exige muito da gente... A criança exige tempo, dedicação, dinheiro... Ela exige disposição física e mental, 24 horas por dia, sem folgas! E isso pode nos deixar cansadas, algumas vezes exaustas, porque, como falamos antes, além de sermos mães, executamos outros papéis, que exigem de nós muita disposição também! Então, uma tarefa importante da mãe na relação mãe-criança é administrar seus níveis de prazer e sofrimento, procurando manter um equilíbrio entre essas duas forças, nutrindo-se de situações agradáveis com a criança, situações onde mãe e criança possam se divertir, brincar, amar, estudar, conhecer, elogiar, respeitar, compartilhar bons sentimentos... Nutrindo o prazer, o padecimento diminui.

Alguns autores da psicologia assumem que a mulher executa duas grandes tarefas como mãe: a primeira é estabelecer uma unidade com seu filho de forma harmônica; a segunda é dissolver essa ligação, de forma igualmente harmônica, posteriormente. A relação mãe-criança é marcada por um envolvimento intenso entre esses dois elementos, ou seja, mãe e criança estão sempre envolvidas uma com a outra, mesmo quando estão separadas fisicamente. No entanto, é necessário que haja espaço nessa relação para o “des-envolvimento”, tanto da mãe quanto da criança.

Ao longo da relação com a criança, e nesse processo de ligação e desligamento, as tendências instintivas de cuidado, tão importantes quando a mãe relaciona-se com seu bebê, transformam-se em ternura maternal. A agressividade, necessária para afastar predadores, no caso da espécie humana transforma-se em atividade protetora. Além disso, a necessidade que todos temos de sermos amados é satisfeita nessa relação: mãe-amor-criança, que se retroalimenta.

Dessa forma, podemos dizer que a experiência de ser mãe é com certeza a mais transformadora na vida de uma mulher. E nós merecemos um dia para comemorar essa transformação não só por que nos sacrificamos ou padecemos, como dizem os ditados, mas porque somos fortes, guerreiras, sensíveis, amorosas, protetoras... Por que buscamos conhecer nossos filhos, respeitá-los, estimulá-los em suas boas inclinações, corrigí-los nas más inclinações. Merecemos comemorar o dia das mães porque, quando nos tornamos uma mãe, nascemos novamente, junto com nossos filhos!

Então, queridas mamães, um feliz e abençoado dia das mães para nós! Parabéns pela coragem, pela persistência e pelo amor que nos faz tão importantes na vida do nossos filhos!

Yvanna A. Gadelha Sarmet
Super Infância Psicologia Infantil
Maio/2008

A importância do sono em nossas vidas


O que é o sono?

Sono é o nome dado ao repouso que fazemos em períodos de cerca de 8 horas em intervalos de cerca de 24 horas. Durante esse período nosso organismo realiza funções importantíssimas com consequências diretas à saúde como o fortalecimento do sistema imunológico, secreção e liberação de hormônios (hormônio do crescimento, insulina e outros), consolidação da memória, isso sem falar no relaxamento e descanso da musculatura.

Qual é a real importância do sono?

Passamos cerca de um terço de nossa vida dormindo. Dormir bem é essencial não apenas para ficar acordado no dia seguinte, mas, para manter-se saudável, melhorar a qualidade de vida e até aumentar a longevidade. Nosso desempenho físico e mental está diretamente ligado a uma boa noite de sono. O efeito de uma madrugada em claro é semelhante ao de uma embriaguez leve: a coordenação motora é prejudicada e a capacidade de raciocínio fica comprometida, ou seja, sem o merecido descanso o organismo deixa de cumprir uma série de tarefas importantíssimas. O que nos aconteceria se não dormíssemos?
Em estudo realizado pela Universidade de Chicago – EUA, onze pessoas com idades entre 18 e 27 anos foram impedidas de dormir mais de quatro horas durante seis dias. O efeito foi assustador. No final do período, o funcionamento do organismo delas era comparado ao de uma pessoa de 60 anos de idade. E os níveis de insulina eram semelhantes aos dos portadores de diabetes. Em pesquisas de laboratório, ratos usados como cobaias não agüentaram mais de dez dias sem dormir. A conseqüência: morte por infecção generalizada.

É verdade que crescemos enquanto dormimos ?

Sim, é verdade. Na infância, cerca de 90% do hormônio do crescimento é liberado durante o sono. Crianças que dormem mal têm mais chances de ter problemas no seu desenvolvimento físico. O hormônio do crescimento continua sendo liberado mesmo na fase adulta. Embora em doses menores, isso continua ocorrendo durante o sono. Em pessoas adultas ele evita a flacidez muscular e garante vigor físico. Quais são as principais interferências ao sono?
As interferências ao sono poderiam ser classificadas em externas e orgânicas. Como exemplos de interferências externas poderíamos citar os trabalhos noturnos ou turnos rotativos, os eventuais problemas com fusos horários (em casos de viagens), as pessoas chamadas de corujas (que possuem mais energia ao entardecer!) e as chamadas de cotovias (deitam-se muito cedo e dormem cada vez menos com o passar do tempo!). Para exemplificar interferências orgânicas podemos citar o ronco, a apnéia (freqüentemente associada ao ronco), a insônia, a narcolepsia (sonolência diurna excessiva), o bruxismo (ranger de dentes) a síndrome das pernas inquietas e outras. O ronco e o bruxismo, geralmente, incomodam mais quem dorme nas proximidades do que quem apresenta o quadro clínico.

O que é apnéia?

A apnéia é o fechamento (colabamento) da passagem de ar ao nível da garganta pelos próprios tecidos da mesma (por isso freqüentemente está associada ao ronco) com conseqüente parada da respiração. Esse fechamento pode demorar vários segundos e até mesmo causar a morte súbita! Quem possui essa disfunção nem sempre a percebe e apresenta noites com “dorme e acorda” que podem chegar a 300 vezes! Você é capaz de imaginar como a pessoa levanta no dia seguinte?
O ronco e a apnéia podem ser evitados? Algumas providências podem ser tomadas como desde um posicionamento correto na cama à eliminação do hábito de tomar bebidas alcoólicas antes de dormir. A perda de peso pode eliminar depósitos de gordura na região do pescoço que são prejudiciais à passagem de ar, mas, alguns casos persistem e necessitam de tratamento. O que pode ser feito nesses casos?
A abordagem tradicional dos casos de ronco e apnéia tem na cirurgia (uvulopalatofaringoplastia) o seu maior armamento. Contudo, a cirurgia não apresenta índice de sucesso satisfatório (cerca de 40%) e deixa sequelas permanentes. Atualmente, está disponível a opção pelo uso do DAR (dispositivo anti ronco) que é um aparelho odontológico usado apenas para dormir, pequeno e simples que pode ser levado para qualquer lugar e apresenta excelente índice de sucesso (cerca de 87%). Contudo, o aparelho possui contra indicações e um exame clínico inicial deve ser feito.

Veja algumas dicas para melhorar a qualidade do seu sono:
1. Antes de tudo, durma em um local confortável, fresco, escuro e silencioso. As alterações de ruído, de luz e de temperatura podem atrapalhar o sono;
2. Prepare-se para dormir. Crie seus próprios rituais como a meditação, o relaxamento, a oração ou outra técnica de controle da tensão. Anote em um caderno todos os seus problemas antes de dormir. Não vá para a cama com eles! Isso funciona como um santo remédio para muita gente;
3. Evite olhar o relógio a cada vez que acordar: este hábito pode piorar uma eventual noite de insônia;
4. Pratique exercícios regularmente, pois isso melhora as condições do organismo. Mas procure fazer ginástica até duas horas antes de se deitar;
5. Não durma com fome. Uma boa dica é beber um copo de leite morno antes de ir para a cama: o leite é rico em triptofano, que é um precursor da serotonina - substância envolvida no processo de sono;
6. Faça apenas refeições leves à noite. A partir dos 16 anos, a capacidade digestiva de nosso organismo começa a diminuir e uma digestão difícil atrapalha terrivelmente o sono;
7. Use a cama apenas para dormir, e não para ver televisão, ler ou jogar videogame, pois esses hábitos são desfavoráveis ao sono;
8. A melhor posição para dormir é de lado, com as pernas ligeiramente flexionadas e um travesseiro não muito alto apoiando o rosto. Não se esqueça de colocar uma almofada entre as pernas na altura dos joelhos. A densidade correta do colchão é fundamental!
9. Se estiver numa noite de insônia, não fique na cama forçando o sono. Levante-se, procure alguma atividade e só retorne quando sentir sono;
10. Cuidado com líqüidos antes e, até mesmo, durante a noite, pois a necessidade de urinar irá interromper a seqüência do seu sono.
fonte:http://www.abcdasaude.com.br

Para que os pequenos aprendam a dormir, ela explica que é necessário rotina, ajuste de horários e paciência, muita paciência.

 Veja 14 dicas infalíveis.

1 - O ritual começa no fim da tarde, por volta das 18h: é hora de desacelerar

2 - Ofereça o jantar por volta desse horário ou três horas antes de a criança ir para a cama. Se os pais não estiverem em casa, outra pessoa pode tomar conta da tarefa. No caso dos bebês, a última mamada deve ser perto das 23h

3 – Evite deixar que as crianças assistam a desenhos de terror ou drama à noite ou joguem games com o mesmo tema. O ideal é que computador e TV não façam parte da mobília do quarto delas

4 – Duas horas antes da hora da criança dormir, desligue a televisão ou o computador. Em vez disso, que tal brincar com ela?

5 - Melodias tranqüilas preparam a criança para dormir. Na hora do sono, porém, desligue o aparelho. Ela precisa de um ambiente calmo, sem barulho

6 – Antes de ir para o quarto, um banho morno ajuda a relaxar

7 - Se eles tiverem fome antes de dormir, ofereça comidas leves, como um leite com biscoito ou barras de cereal

8 - A leitura é um bom hábito para toda a família, antes de dormir. Acalma os pequenos e ainda aproxima pais e filhos

9 – Depois, deixe as crianças no quarto, seja na cama ou no berço, sozinhas. Se reclamarem, os pais podem ficar por ali até que peguem no sono, mas nada de colo. A presença transmite segurança e, como tempo, elas vão aprender a adormecer sem vocês por perto

10 – O ambiente deve ser silencioso, escuro e fresco

11 - Além de dar segurança à criança que tem medo de escuro, a luz de cor azul tem efeito calmante. Mas para as que não se importa, o melhor é apagar todas as luzes

12 – Outra coisa que deixa os pequenos mais tranquilos é o chamado objeto de transição, que pode ser um boneco de pano, bicho de pelúcia ou uma fralda

13 - Um beijo de boa-noite simboliza que o dia acabou

14 - Essa rotina deve ser seguida diariamente. O ideal é que as crianças sejam colocadas para dormir e acordem sempre no mesmo horário.

fonte:http://kednagislen.wordpress.com/2010/01/

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A importância da garatuja

Rabiscos de criança são expressões da curiosidade, são tentativas e descobertas. Você não vai querer reprimir essa força criativa, certo?


É experimentando traços aparentemente sem nexo - as chamadas garatujas - que as crianças pequenas desenham na tentativa de representar o que interpretam do mundo à sua volta. Nos primeiros anos de escolaridade, é particularmente importante explorar sem amarras esse tipo de produção. Muitas vezes, porém, os rabiscos não recebem a devida atenção dos professores. Há certa ansiedade em direcionar o traço dos pequenos.

Mais sobre desenho
"Esse cerco, ao contrário do que se imagina, fecha portas para o fazer artístico", afirma Mirian Celeste Martins, professora do curso de pós-graduação em Educação, Arte e Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Muitas crianças chegam ao Ensino Fundamental com a expressividade bloqueada justamente por conta do direcionamento que tiveram na infância para atividades como reproduzir ou colorir desenhos prontos", diz Mirian. Nesse caso, a atenção da criança se volta para a dúvida se o trabalho é reconhecível ou não, em vez de estar no desenho em si.

Cada rabisco, uma descoberta
Desde a década de 1970, a pesquisadora americana Rhoda Kellog estuda os primeiros traços das crianças. Em suas pesquisas, ela observou e analisou quase 300 mil desenhos de crianças de todo o mundo e identificou padrões de estrutura, como rabiscos básicos e áreas de aplicação dos traços no papel (veja quadro abaixo).

Reprodução

Kellog mapeou 20 tipos de rabiscos de crianças de até dois anos de idade, produzidos de maneira bastante primitiva em variadas combinações. Um tempo adiante, essas linhas convergem para seis diagramas básicos: círculo ou oval, quadrado ou retângulo, triângulo, cruz ou X e formas irregulares. A eles, depois são agregados elementos como sóis, linhas radiais, perímetros e figuras humanas.

Embora apresentadas de maneira evolutiva, essas classificações não devem ser consideradas fases de desenvolvimento a ser perseguidas. "Elas são representações da ação da criança, de acordo com suas descobertas e com a interpretação que faz do mundo", afirma a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Rosa Iavelberg.

Com muita sutileza, portanto, as garatujas revelam o olhar da criança. Observadores, os pequenos experimentam enquanto desenham e acabam estabelecendo relações que ficam na memória. Descobrem os resultados dos movimentos que fazem com o braço, buscam as possibilidades das formas - para depois dominá-las - e encontram os limites do papel. Assim, criam de forma autônoma. "É com a exploração desses rabiscos que a criança vai construir sua produção autoral", acrescenta Rosa.

Além de ficar atento ao desenho das crianças, é papel do professor criar um ambiente em que o desenho possa ser cultivado (Dois exemplos de atividades:
Desenho na sombra e Criação com desafio). Quando possível, oferecer diversidade de materiais e suportes colabora para ampliar o repertório e estimula a viagem criativa da meninada. "A força que faz inventar os modos de desenhar, de jogar com a percepção, de brincar com linhas, formas e cores tem de ser potencializada pelo educador. Abrir esse espaço é mais do que simplesmente deixar fazer", acrescenta Miriam. É preciso instigar a competência simbólica, provocar o aluno a ir além e não apenas ensinar a ele regras práticas da figuração. Com isso, foge-se do controle rígido da representação, que faz os pequenos reproduzir de forma sistemática os modelos estereotipados.


Michele Silva
http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/desenvolvimento-e-aprendizagem/importancia-garatuja-educacao-infantil-crianca-520247.shtml

domingo, 31 de julho de 2011

Entenda a linha pedagógica da escola do seu filho

Conheça os diferentes métodos das escolas do país e saiba o que pode ser oferecido ao ensino das crianças


Renata Losso, especial para o iG São Paulo


Levar o filho para o primeiro dia de aula não costuma ser uma tarefa fácil, mas ainda mais difícil é escolher a escola adequada. Com diferentes métodos de ensino, muitos pais ficam confusos na hora de decidir qual é a linha pedagógica mais indicada para a educação da criança.

Os especialistas em educação afirmam que uma criança saudável e sem grandes problemas emocionais se dará bem em qualquer escola, independente do método adotado, mas a linha pedagógica deve ser escolhida de acordo com a personalidade de cada criança - aquela em que ela tem mais chances de se adaptar e levar uma vida equilibrada.

É preciso ter em mente que muitas instituições de ensino estão misturando os vários métodos pedagógicos, o que para a pedagoga e psicopedagoga Mara Gitti Assis, da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC), de São Paulo, não é algo correto. No entanto, ela acredita que o verdadeiro educador busca o que é mais adequado para cada aluno. “Você pode ter uma escola construtivista, mas o aluno pode necessitar de algo mais tradicional, por exemplo. O educador deve saber a necessidade da criança”, alega Mara.

Saiba o que oferece e como funciona o método das diferentes linhas pedagógicas que são adotadas pelas instituições do país.

Escola Tradicional
Nesta linha pedagógica, a mais utilizada no Brasil, o professor é o dono do saber e o aluno caminha na medida em que ele vai adquirindo o conteúdo. A criança, nesta escola, deverá absorver todo o conhecimento que o professor transmite, sem questionamentos. O professor ensina a matéria de forma sistematizada e não precisa levar em conta as particularidades de cada aluno. Este é um método utilizado também nas Universidades do Brasil. É uma linha interessante para crianças que não possuem grandes dificuldades de aprendizado, já que o conteúdo pode ser decorado.



Método de avaliação: A linha tradicional mede o conhecimento memorizado do aluno, que é transmitido pelo professor, por meio de uma prova. Quem não atinge a pontuação mínima, é reprovado e deve cursar o ano novamente.

Escola Comportamental
É uma linha muito semelhante à Tradicional, colocada em prática pelo psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow, mas, nesta prática, o ensino é conduzido através de estímulos, com uma troca constante entre professores e alunos. Desta maneira, o educador questiona e, conforme a resposta do aluno, ele vai moldando o conteúdo e conduzindo as crianças à realidade.
Método de avaliação: É idêntica à tradicional, com a possibilidade do aluno ser reprovado se não atingir a pontuação mínima.


Escola Construtivista
Nesta pedagogia, criada por Jean Piaget, o aluno deve adquirir autonomia e formar o seu aprendizado por meio da construção de hipóteses e resolução de problemas. Diferente da Escola Tradicional, o professor não detém totalmente o saber, ele é um orientador dos interesses das crianças. É o oposto da linha tradicional.
Método de avaliação: Na maioria das escolas que segue esta filosofia, a avaliação é contínua, ou seja, o aluno é avaliado durante todo o ano escolar. No entanto, há escolas que aplicam a avaliação comum da escola tradicional.


Escola Montessoriana
Este método pedagógico, criada por Maria Montessori, parte do princípio de que a criança precisa ter uma experiência concreta para chegar à abstração, pois somente assim ela assimilará o conhecimento. As salas de aula das escolas que seguem a linha montessoriana costumam ter, em média, 20 alunos, e diferentes materiais para realização das aulas. Ali, os alunos podem escolher as atividades do dia, mas é preciso que ele cumpra o programa obrigatório para poder avançar. Com isso, o professor conduz o processo escolar.
Método de avaliação: Depende muito da escola. Pode haver uma prova agendada anteriormente ou apenas a avaliação do empenho e interesse do aluno.


Escola Waldorf
Neste método de ensino, a criança possui o mesmo professor e turma durante todo o ensino fundamental e aprende de acordo com o ritmo do seu desenvolvimento físico, intelectual e espiritual. Na pedagogia criada pelo austríaco Rudolf Steiner, o interesse e os questionamentos do aluno são muito respeitados. Além das matérias tradicionais, há aulas de jardinagem, música, marcenaria e teatro no currículo escolar.
Método de avaliação: O aluno tem o seu conhecimento e suas aptidões medidas em sua atuação ao longo do ano, por meio de relatórios descritivos. Se tiver muitas dificuldades de adaptação, pode ser aconselhado a mudar de classe ou escola.


Escola Freiriana
Baseada nos ideais de Paulo Freire para a alfabetização, os aspectos culturais, sociais e humanos são muito considerados nesta linha pedagógica, portanto, a criança que vive no campo, por exemplo, será educada de forma distinta da criança que vive na cidade. Além disso, neste caso, o conhecimento só fará sentido quando o aluno se tornar capaz de transformar seu mundo externo e interno. Na linha Freiriana, a ética, a humildade, o respeito e a solidariedade, entre outros aspectos, são bastante defendidos e a educação está mais ligada à felicidade pessoal.
Método de avaliação: Também ocorre continuamente, a criança é avaliada ao longo do processo educacional.

http://delas.ig.com.br/filhos/entenda+a+linha+pedagogica+da+escola+do+seu+filho/n1237537932668.html

Meu filho não quer voltar às aulas, e agora?

Resistir ao retorno pode ser só uma manha passageira ou indicar situações mais graves. Para cada caso, há uma recomendação

Clarissa Passos, iG São Paulo


É hora de dar adeus aos dias de folga e voltar à rotina com aulas, tarefas de casa e trabalhos escolares. Algumas crianças estão com saudades dos colegas e das atividades, mas outras não podem nem ouvir falar em volta às aulas sem ter uma dor de barriga instantânea. Como os pais podem lidar com a criança que resiste a voltar das férias?

O primeiro passo é descobrir o que esta resistência quer dizer. "O 'não quero ir para a escola' pode ter vários sentidos", alerta a psicoterapeuta Ana Gabriela Andriani, doutora em Psicologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Pode ser apenas uma recusa natural e passageira à ideia de voltar a acordar cedo, ter menos tempo para brincadeiras e mais responsabilidades - do mesmo tipo que qualquer adulto sente ao terminar as férias e encarar a volta ao trabalho.

Outras vezes a resistência se apresenta mais constante, tendo aparecido inclusive antes das férias. Nesse caso, o motivo pode estar escondido em uma mudança na rotina escolar: troca de professora, de classe ou de escola ou até mesmo ameaças de bullying. "O diálogo com a escola é fundamental", define Ana Gabriela. Só assim os pais podem entender se a resistência à volta às aulas é só manha ou se esconde algum problema mais sério.

A pura e simples manha, aliás, também pode ser acolhida. Afinal, quem é que gosta, seja adulto ou criança, de voltar das férias? "Acolher a manha não significa permitir que a criança não volte para a escola", diz Ana. Basta conversar com a criança e explicar que esta preguiça é natural, que todos sentem, mas que nem por isso podemos ficar em casa para sempre.

João David Cavallazzi Mendonça, psicoterapeuta familiar, concorda. "Precisa dar à criança o direito de sentir preguiça e sentir vontade de nao acordar - embora isso não signifique em absoluto que ela vá poder dormir até tarde e faltar às aulas".

Agendas lotadas
Não querer voltar para a escola pode ser um alerta para um problema muito comum entre as crianças de hoje: o excesso de atividades extracurriculares impostas pelos pais. A garotinha que faz balé às terças e quintas, natação às quartas e sextas e piano às segundas e sábados certamente vai sentir muita falta de um mês em que teve tanta tempo livre - um verdadeiro artigo de luxo para ela.

Os pais se esquecem de que tempo livre, para uma criança, significa tempo para brincar. E brincar é essencial. "A brincadeira é fundamental para o desenvolvimento social, cognitivo, afetivo, da criatividade. A criança precisa de tempo para ser criança", ressalta a psicoterapeuta.
 
Dicas práticas

Para que a transição da rotina seja o mais suave possível, João sugere que os pais estabeleçam uma mudança gradual. Se a criança está dormindo mais tarde e acordando mais tarde, que tal, alguns dias antes do retorno à escola, já colocá-la mais cedo na cama - e acordá-la mais cedo também? O ideal é aproximá-la ao máximo da rotina que volta em breve, tanto em horários de sono como nos de refeições.

Incluir a criança na preparação da volta às aulas é outra ideia. "Peça ajuda para lavar a mochila, preparar os uniformes, comprar o material de reposição", indica o psicoterapeuta. Vale também ler um trecho de um livrinho ou apostila que será solicitado no segundo semester - tudo para que seu filho vá se habituando com a presença destes elementos de volta ao seu dia a dia.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

INVISIBILIDADE SOCIAL

TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO

*"O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE"*




'Fingi ser gari por 1 mês e vivi como um ser invisível'
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.

Ali,constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente
prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como
gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:

* 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.*O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.
'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, algunsse aproximavam para ensinar o serviço.

Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.

Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central.
Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu.
Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angústia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.
Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.
Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida! *