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sábado, 21 de janeiro de 2012

A Criança Aprende Com o Convívio

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo  'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos  filhos...  Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

  Passe adiante!
  Precisamos começar JÁ!

 
Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais , torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta aonde vive...
A CRIANÇA APRENDE COM O CONVÍVIO
A criança que convive com críticas aprende a condenar
A criança que convive com a hostilidade aprende a ser agressiva
A criança que convive com o ridículo aprende a ser tímida
A criança que convive com a vergonha aprende a sentir-se culpada
A criança que convive com a tolerância aprende a ser paciente
A criança que convive com estímulos aprende a ter autoconfiança
A criança que convive com elogios aprende a valorizar
A criança que convive com a integridade aprende a ser justa
A criança que convive com a segurança aprende a ter fé e confiança
A criança que convive com aprovação aprende a gostar de si mesma
A criança que convive com a honestidade aprende a verdade
A criança que convive com a aceitação e a amizade
Aprende a encontrar o AMOR no mundo
Dorothy Law Nolte 

Tragédias na mídia!

Nos últimos tempos, temos sido bombardeados, por todas as mídias, por notícias que revelam violências contra crianças praticadas possivelmente por adultos próximos a elas. É uma criança torturada aqui, outra ali, outra que morre lá e assim por diante. E não podemos esquecer que as crianças, hoje, têm acesso a todos os veículos de comunicação e recebem essas informações.

Que sentidos elas dão a esses fatos? Tomemos dois exemplos que chegaram a mim. Uma criança, de oito anos, perguntou à mãe se o pai poderia matá-la quando ficasse muito bravo. Outra, um pouco mais nova, perguntou se iria ficar de mãos amarradas quando fosse ao castigo. Certamente, muitos leitores devem ter passado por experiências semelhantes com seus filhos e seus alunos.

As crianças estão angustiadas com tais notícias porque identificam nelas que os adultos próximos, ao invés de de protetores, podem ser ameaçadores. Justamente aqueles em quem elas depositam a maior confiança se revelam, nas notícias, suspeitos de agir de modo contrário. E agora?

Agora, mais uma parte da infância de nossas crianças fica comprometida, fato cada vez mais banal. Mas será que não se pode fazer nada? Sim, podemos e devemos fazer algo por elas, que, sozinhas, não conseguem entender e expressar toda a angústia que as invade.

A maioria das escolas costuma ignorar o fato de que seus alunos sabem dessas notícias e continuam seus trabalhos como se nada de excepcional ocorresse. Pois todas elas têm recursos para, de alguma maneira, tratar dessas questões. É um bom momento, por exemplo, para oferecer aos alunos, nas aulas de expressão artística, estratégias para dar forma ao que eles imaginam, sentem e pensam sobre tais fatos.

O simples fato de colocar de modo simbólico sentimentos e angústias já aponta pistas sobre outras formas de trabalhar o tema. Depois, é importante que se fale a respeito, sem psicologismos nem interpretações leigas, para que, coletivamente, eles se sintam acolhidos em suas preocupações e aprendam sobre os direitos das crianças e dos adolescentes e os valores sociais da justiça e da responsabilidade com o bem comum.

Para os pais, esse é um bom momento para oferecer aos filhos mais segurança em relação aos vínculos familiares e dar maior relevância aos valores morais e éticos. É muito importante, por exemplo, afirmar que a família ama e respeita a vida, que nenhuma violência deve ser aceita pelos integrantes do grupo familiar, que casos como os noticiados são exceções -apesar de tanto alarde-, que os impulsos agressivos podem ser controlados e, também, estabelecer um diálogo a respeito das opiniões dos pais e dos filhos sobre esses fatos.

Todas as tragédias servem para nos fazer refletir sobre a humanidade e o nosso cotidiano. 

Por isso, é importante que os adultos pensem a respeito das pequenas violências, simbólicas ou reais, que o mundo adulto comete contra os mais novos. 

Afinal: nossas posições demonstram que somos a fim deles ou que estamos mais para ser o fim deles?

Texto retirado na internet

SEJA UM IDIOTA - Arnaldo Jabor

A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.

Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?

Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!

Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele.

Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor,dinheiro,sexo,sincronia, mas pela ausência de idiotice.

Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?

Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas.

E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar.

Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva. 

Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único 'não' realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.

Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

'A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios'.
'
Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche'

Deficiências - Mario Quintana

sábado, 22 de outubro de 2011

INOCÊNCIA DE CRIANÇA



CRIANÇAS...

Um autor e conferencista, certa ocasião, falou de um concurso para o qual tinha sido convidado como jurado.

O objetivo era escolher a criança mais cuidadosa.

Eis alguns dos vencedores:

1. Um garoto de 4 anos tinha um vizinho idoso ao lado, cuja esposa havia falecido recentemente.

Ao vê-lo chorar, o menino foi para o quintal dele e, simplesmente, sentou-se em seu colo.

Quando a mãe perguntou a ele o que havia dito ao velhinho, ele respondeu:

- Nada... Só o ajudei a chorar.
 
2. Os alunos de uma professora de primeira série  estavam examinando  uma foto de família.

Uma das crianças da foto tinha os cabelos de cor bem diferente da dos demais.

Alguém logo sugeriu que essa criança tivesse sido adotada.

Logo uma menina falou:

- Sei tudo sobre adoção, porque eu fui adotada.

Logo outro aluno perguntou-lhe:

- O que significa "ser adotado"?

- Significa - disse a menina - que você cresceu no coração de sua mãe; e não, na barriga!

 3. Sempre que estou decepcionado com meu lugar na vida, eu paro e penso  no pequeno João.

João estava disputando um papel na peça da escola.

Sua mãe me disse que tinha procurado preparar seu coração, mas  temia que ele não fosse escolhido.

No dia em que os papéis foram distribuídos, eu fui com ela para buscá-lo na escola.

João correu para a mãe, com os olhos brilhando de orgulho e emoção:

- Adivinha o quê, mãe!

E disse aquelas palavras que continuariam a ser uma lição para mim:

- Eu fui escolhido para bater palmas e espalhar a alegria!
 
4. Conta uma testemunha ocular de Nova York :

Num frio dia de dezembro, alguns anos atrás, um rapazinho de cerca de 10 anos,  descalço,  
estava em pé em frente a uma loja de sapatos, olhando a vitrina e tremendo de frio.

Uma senhora se aproximou do rapaz e disse:

- Você está com pensamento tão profundo, olhando essa vitrina!...

- Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos - respondeu o garoto...

A senhora tomou-o pela mão, entrou na loja e pediu ao atendente para dar meia  duzia de pares de meias para o menino.

Ela também perguntou se poderia conseguir-lhe uma bacia com água e uma toalha.

O balconista rapidamente a atendeu; ela levou o garoto para a parte de trás da loja e,  tirando as luvas, se ajoelhou e lavou seus pés pequenos e secou-os com a toalha.

Nesse meio tempo, o empregado havia trazido as meias.

Calçando-as nos pés do garoto, ela também comprou-lhe um par de sapatos.

Ela amarrou os outros pares de meias e entregou-lhe. 

Deu um tapinha carinhoso em sua cabeça e disse:

- Sem dúvida, vai ser mais confortável agora.

Como  logo ela se virou para ir embora,  o garoto segurou-lhe a mão,  olhou seu rosto diretamente, com lágrimas nos olhos e perguntou:

- Você é a mulher de Deus?


A vida é curta. Quebre regras, perdoe rapidamente, beije lentamente, ame de verdade,
 
 Ria descontroladamente... e nunca pare de sorrir, por mais estranho que seja o motivo.

E lembre-se de que não há prazer sem riscos. A vida pode não ser a festa que 
esperávamos,  mas, uma vez que estamos aqui, temos que comemorar!!!

Aprecie...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

INVISIBILIDADE SOCIAL

TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO

*"O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE"*




'Fingi ser gari por 1 mês e vivi como um ser invisível'
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.

Ali,constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente
prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como
gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:

* 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.*O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.
'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, algunsse aproximavam para ensinar o serviço.

Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.

Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central.
Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu.
Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angústia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.
Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.
Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida! *

Tão longe e tão perto...

Os pais nunca declararam amar tanto os filhos quanto agora. Eles fazem tudo o que podem e o que às vezes nem devem porque, por amarem tanto os filhos, não suportam vê-los sofrer. Esforçam-se para dar a eles o melhor da vida porque querem que os filhos tenham tudo o que eles próprios, quando crianças, não tiveram.

Estabelecem com os filhos um relacionamento aberto, íntimo e amigável porque não querem ser autoritários e distantes como foram seus pais. Enfim: os pais estão, hoje, apaixonados pelos filhos.

É compreensível: em um mundo no qual os laços afetivos entre os adultos estão sempre por um fio e se desfazem por qualquer bobagem, o clima de insegurança afetiva provoca novas buscas. Como a união com os filhos é a única que, atualmente, só a morte dissolve, ela tem servido como o porto seguro afetivo dos pais.

Para ter idéia de quão longe isso vai: uma diretora de escola de educação infantil no interior de São Paulo contou-me que, no Dia dos Namorados, vários ramalhetes de flores enviados pelos pais às filhas chegaram à escola. O problema está nas contradições que esse amor declarado tem apresentado.
Os pais que adoram tanto seus filhos contratam babás para ficar com eles diuturnamente, inclusive domingos e feriados. Vemos pais cujos filhos estão segurando nas mãos da babá ou no colo desta nos shoppings, nos cabeleireiros, nos consultórios, em hotéis, restaurantes etc. E ter babá dá muito trabalho! É seleção, busca de referências, treinamento e depois, se surgirem desconfianças, instalação de câmeras etc.

Mães e pais que dizem amar seus filhos sem medida fazem com que novos negócios prosperem em tempos de recessão.

Os pais vão a um casamento com os filhos? Não há problema. Os noivos contratam empresas de recreação que ficam o tempo todo com as crianças, para que os pais "curtam a festa sem restrições". Nas férias, os hotéis precisam ter uma equipe de monitores que, além de entreter as crianças, também almoça e janta com elas.

Por falar em férias, acampamentos para crianças rendem no período. Até pouco tempo atrás, eles recebiam só adolescentes. A demanda dos pais fez com que proliferassem locais que recebem crianças pequenas: os pais já podem mandar seus filhos a partir dos quatro anos (!) para uma temporada fora, com direito a "espiar" pela internet como eles se divertem!
Quando o filho faz aniversário e os pais querem demonstrar todo seu amor dando uma megafesta, sem problemas: contratam um bufê que cuida de tudo. E a escola, para ajudar, recebe autorizações de saída e organiza os convidados para colocá-los no ônibus que os leva da escola para o evento.
A falta de tempo dos pais tem sido usada para explicar tantas buscas de recursos. Mas esse estilo tem muito mais a ver com a nossa cultura. Amor demais sufoca e idealiza. Pode ser por isso que os pais apresentem tanta contradição: amam tanto a idéia de ter o filho que precisam ficar longe dele para, talvez, não perderem o filho que imaginam ou gostariam de ter.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Musicoterapia e Suas Aplicações

Toda pessoa tem um ritmo interior, uma identidade sonora que a diferencia das outras. Identificá-lo e equilibrá-lo são procedimentos da musicoterapia, sendo uma alternativa no trabalho com crianças com deficiência mental.
Conta a história que dois mil anos antes de Cristo, quando o imperador da China queria saber como andavam as coisas em suas províncias, ele convocavam os músicos de cada uma delas para tocar para ele. E, de acordo com a música que vinha embalando seu povo, o imperador sabia se elas estavam indo bem ou mal. Em tempos de Internet, quando esse recurso não se faz mais necessário, paralelamente aos avanços tecnológicos, cresce a aceitação de terapias alternativas, que valorizam o lado emocional do indivíduo.
A musicoterapia, considerada uma ciência paramédica que estuda a relação do homem com o som/música, é uma delas. 'A influência fisiológica e psicológica do som no cérebro traz inúmeros benefícios à pessoa', afirma Maristela Pires da Cruz Smith, Ex-Presidente da Apemesp (Associação dos Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo).
Musicoterapeuta, educadora artística com habilitação em música e mestre em Psicologia Social, Maristela afirma que a música por si só é terapêutica.Segundo ela, o benefício mais comum e mais facilmente percebido é a sensação de relaxamento, de bem-estar. 'Todas as pessoas têm uma identidade sonora, um ritmo pulsando em seu interior, conseqüência dos inúmeros sons recebidos por nós.
A musicoterapia, através da pesquisa sobre a vida e o ambiente ao qual está inserido o paciente, busca identificar e equilibrar seu ritmo interno, para possibilitar uma melhora', explica. 'Um bom exemplo é o que ocorre com crianças hiperativas, em geral com um ritmo interno bastante acelerado. Primeiramente, elas são tratadas com músicas em seu próprio ritmo,para depois, lentamente, ir buscando equilibrar esse som', explica Maristela. 'Assim como em qualquer outro método terapêutico, não há prazo determinado para o tratamento, que vai depender da resposta do paciente', ressalta.
Gama de aplicações - Entre as inúmeras aplicações da musicoterapia,destaca-se o trabalho com pacientes portadores de deficiências físicas, como paralisia e distrofia muscular progressiva. As deficiências sensoriais (visual e auditiva) e as síndromes genéticas (Down, Turner e Rett) também contam com essa opção como tratamento complementar. Distúrbios neurológicos (lesões cerebrais, dislexias, disfonias, entre outros) e doenças mentais, como esquizofrenia, autismo infantil, depressões e distúrbio obsessivo compulsivo também podem se beneficiar com essa terapêutica. 'A musicoterapia pode ser aplicada desde a vida intra-uterina, pois pesquisas provaram que o feto reage ao som e, por ser estimulado desde cedo, nasce com maior capacidade de desenvolver seu potencial', afirma Maristela.
As principais pesquisas sobre musicoterapia têm sido feitas em países como Estados Unidos, França, Alemanha, Noruega, Inglaterra, Itália e Argentina, onde o uso terapêutico da música é amplamente difundido. No Brasil, nos últimos dois anos, os benefícios dessa terapia têm sido mais amplamente aceitos por fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos. Sua aplicação tem ocorrido principalmente em entidades que trabalham com crianças portadoras de deficiência mental, como a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Barueri. 'Esse trabalho começou a ser realizado por uma de nossas fisioterapeutas com crianças portadoras de deficiência mental,visual e auditiva.
Os resultados foram animadores. Por isso, também vamos passar a utilizar a música em trabalhos com fonoaudiólogos', ressalta Giovanna Aparecida de Carvalho Sales, diretora da entidade. 'A música relaxa e tranqüiliza as crianças.
Vamos usar os recursos da musicoterapia para trabalhar os processos de linguagem. A percepção corporal através da dança também fará parte do processo terapêutico. Com isso, a criança passa a ter contato consigo mesma e com o outro, é uma forma de integrá-la ao meio', acrescenta a fonoaudióloga Adriana F. de Souza Aquino, uma das responsáveis pela elaboração do projeto.
Na educação, a musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento psicopedagógico e em dinâmica de grupo em sala de aula. É o que vem ocorrendo com os alunos da Escola Municipal de Educação Especial de Barueri, voltada para a alfabetização de crianças e adolescentes com deficiência mental leve e moderada.
Desde o início deste ano, a disciplina Educação Musical passou a contar com recursos de musicoterapia. 'Procuro sociabilizar o grupo através da música. A resposta das crianças é uma coisa incrível. Dentro de suas capacidades, elas cantam e dançam', explica Fernanda Rodrigues dos Santos, formada em Educação Artística, com habilitação em música, e pós-graduada em Musicoterapia.
Segundo os especialistas, a musicoterapia já vem se popularizando também como alternativa terapêutica em tratamento de estresse. A psicoterapeuta Adelina Rennó utiliza os recursos da musicoterapia por meio do canto no processo terapêutico de seus clientes. 'Trabalho a voz como expressão da personalidade. É através dela que mostramos quem somos ou, muitas vezes, escondemos quem somos verdadeiramente', afirma. Doutora em psicologia e também com formação musical, Adelina foi buscar especialização para desenvolver o trabalho de cantoterapia na Alemanha. 'Dependendo da indicação, trabalho com uma ou com outra medida terapêutica. Há casos em que utilizo os recursos das duas, já que acredito tratar-se de processos terapêuticos complementares', encerra.
Em busca da cura - Além da utilização da música como processo terapêutico, há correntes de estudiosos no assunto que voltam seus interesses para a ação
curativa de determinado som. No livro O Poder Terapêutico da Música,do norte-americano Randall McClellan, o autor trata os efeitos da música sobre o indivíduo como um todo. Segundo ele, 'toda música pode alterar de algum modo nosso estado de consciência. O que não foi ainda determinado é que tipo de música afeta nossa consciência e de que modo e, particularmente, que tipo de música é mais útil para provocar os estados mais desejáveis para fins de cura'. As indagações de McClellan, doutor em Filosofia em Composições Musicais pela Eastman School of Music e também graduado no Cincinnati College Conservatory of Music, têm sido temas de inúmeras pesquisas realizadas principalmente nos Estados Unidos.
No Brasil, o interesse pelo assunto não é menor. Segundo levantamento realizado pela Apemesp ( http://www.apemesp.org ), o país conta com mais de 3000 profissionais com formação em musicoterapia. Mas isso ainda não se traduziu em investimentos e pesquisas sobre o tema.
A falta de dados também incomoda Luiz Roberto Perez, maestro formado pela Escola de Comunicação e Artes da USP (Universidade de São Paulo) e incansável estudioso do tema. 'Os efeitos da música sobre nosso equilíbrio emocional e nossos órgãos são notórios. Além do poder de cura, ela também reforça o organismo a agir contra as doenças. Mas para chegarmos a essas informações teríamos de ter pessoas empenhadas nisso, e infelizmente não temos', ressalta.
À frente do coral que montou no bairro - na Igreja Bom Pastor -, o maestro não deixa de trabalhar os recursos da musicoterapia com seu grupo. 'Junto do trabalho de voz, aplico alguns dos recursos da musicoterapia, voltados para o relaxamento e a auto-estima. A boa música terá sempre um cunho benéfico', diz Luiz, para quem o maior exemplo disso é o canto gregoriano. 'Esta música nos transporta para uma outra dimensão, quando ficamos próximos de uma entidade superior. E isto sempre fazenorme bem', encerra.
Fonte: Originalmente, este artigo estava publicado em
porém infelizmente, este endereço não é mais válido.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ele é um em casa e outro na escola

Oscilações de comportamento dentro e fora do ambiente familiar indicam que seu filho quer atenção. Mas por quê?


Na escola, a pequena Giovanna, de 1 ano e 5 meses, é uma criança doce. Passou pelo processo de adaptação inicial como todos os coleguinhas e nunca trouxe pra casa nenhum tipo de reclamação. É um bebê exemplar, faz todas as atividades previstas na hora certa, sem nenhum tipo de contestação. Mas em casa, se perder o pai ou a mãe de vista, ela chora, grita e faz a maior bagunça. “A única coisa que a deixa calma é quando eu e meu marido estamos por perto. Diante disso, temos um sério problema: não podemos ir sequer até a esquina”, conta a administradora de empresas Daniela Pavan D’Amico. Giovanna está longe de ser a única criança com comportamentos completamente distintos em casa e fora dela. Mas o que a faz se comportar de forma tão diferente?

Foto: Guilherme Lara Campos / Fotoarena
Daniela prepara a mochila de Giovanna: exemplar na escola, em casa ela é totalmente diferente e chora ao menor sinal de afastamento dos pais
Crianças são os seres vivos mais imprevisíveis que existem, principalmente quando falamos de um período da vida marcado pela formação da personalidade e do comportamento, processo intrinsecamente relacionado à maneira que a família se relaciona entre si e com o mundo. Todo comportamento desenvolvido pela criança neste período é fruto do que ela aprende em casa, no dia-a-dia com a família. Ou do que ela vivencia em seu primeiro círculo social, a escola.
Quando os padrões de comportamento de uma criança começam a oscilar dentro destas duas esferas, é sinal de que alguma lacuna não foi preenchida, e aí podem começar a surgir problemas. Maus comportamentos como birra, muito choro, questionamento excessivo com o intuito de enfrentamento e agressão, seja em casa ou na escola, são sinais claros de que seu filho quer chamar sua atenção. Só resta saber o porquê. “Querer chamar atenção não é a causa de algum problema, mas o sintoma de algo que a criança está sentindo e que ela não sabe ou consegue explicar”, afirma Denise Santolere Franque, psicopedagoga mestre em criatividade e desenvolvimento escolar.
Seja por comportar-se agressivamente em casa, seja pela falta de disciplina na escola, que gênero de problema esses sintomas indicam? A resposta pode estar mais perto do que você imagina.

Inimigo familiar
De acordo com Mariana Tichauer, psicóloga do grupo Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC), “quando uma criança é pequena, ela não está adaptada à dinâmica familiar. É preciso ver como esse ambiente receberá esta criança, porque dali pra frente ela vai responder da maneira que o ambiente ensiná-la a responder”. As palavras-chave para o sucesso da relação são segurança e proximidade. Esses dois reforços são tudo o que as crianças precisam.
Se a dinâmica familiar é prejudicada pela ausência dos pais e, consequentemente, pela ausência de autoridade, a criança acaba criando seus próprios parâmetros – além de força para contestar as regras da família, traduzida em manha e berreiros. “Pais ausentes, que dão tudo o que o filho quer e não colocam limites na educação, acabam gerando crianças mais agressivas, já que nunca ouvir ‘não’ aumenta a incapacidade da criança de lidar com as frustrações. Com isso, sempre que a criança ouve um ‘não’ e se frustra, ela se torna ainda mais agressiva dentro da dinâmica familiar”, diz Denise.

Na casa onde vive a contadora Cláudia Azevedo Soares e sua filha Clara, de 3 anos, a dinâmica familiar é natural e tranquila: ainda que seja uma criança questionadora, Clara aprendeu a respeitar os limites impostos pela mãe. Na escola ela é ainda mais exemplar e recebe sempre muitos elogios. No entanto, nos finais de semana na casa do pai e da avó paterna, onde Clara tem tudo o que quer, ela pinta e borda sob os olhos dos mais velhos. “Em casa, ela sempre pergunta o porquê de ter que fazer determinada coisa, mas respeita e acaba fazendo. Já na casa do pai, ela não tem muita noção de regras. E, com isso, ela sente liberdade para fazer cenas de birra e de agredir a avó, até conseguir aquilo que quer”, conta Cláudia.Junte a ausência dos pais à agenda lotada de atividades da criança, todas longe da família, e você terá um cenário em que ela se sente criadora de suas próprias regras, o que reforça a convicção de que ela tem o direito de agir da maneira que quiser, enfrentando a autoridade dos pais sempre que for preciso.

Dentro do grupo
A criança sem parâmetros de autoridade pode chegar à escola de duas maneiras: ela pode encontrar um professor convicto de sua posição de quem coloca as regras, tornando-se assim um aluno obediente. Ou pode encontrar um professor mais vulnerável à agressividade, cristalizando a figura da criança indisciplinada e arredia. As possibilidades são extremas.
Segundo Denise Santolere, a maioria dos pais resiste em perceber que a falta de disciplina de seu filho na sala de aula é reflexo de um modelo desregrado de interação gerado dentro de sua própria casa, onde a criança age de acordo com suas próprias vontades e sob suas próprias regras, terminando por prejudicar, ao ingressar na escola, não só seu próprio processo de aprendizagem em aula como o de toda a turma.
“Antes, a mãe gerenciava a educação do filho, hoje ela trabalha fora. Por isso ela demora mais para perceber que ele está se comportando de maneira atípica. Como a escola vai lidar com a falta de limites? A professora não está lá para disciplinar a criança, este é um papel da família. A escola só dá o suporte”, afirma.

A regra é clara
A reaproximação entre pais e filhos afastados pelas rotinas diárias é um dos principais fatores na luta pelo restabelecimento da posição de cada integrante da família dentro da dinâmica do lar. É necessário que a criança sinta que está sob a orientação do adulto para que ela baixe a guarda diante dos pais. Isso só acontece quando a criança confia em seus pais, e para confiar, ela precisa passar mais tempo perto deles.
A psicóloga Mariana Tichauer conta que, em casos extremos, a busca por ajuda especializada pode ajudar a reforçar os laços entre os pais e a criança, a fim de que a imagem que ela faz de si mesma como quem dita as regras abra espaço para a posição de autoridade exercida pelos pais. Nestes casos, a terapia com a criança nem sempre é a solução mais indicada: quem deve receber orientações sobre como se comportar diante da família são os próprios pais. “As crianças sentem quando os pais estão inseguros, e tudo o que elas precisam nesta fase da vida é segurança. Por isso, quando os casos são muito graves, é preciso procurar orientação sistemática para promover uma readaptação familiar segura e satisfatória”, revela.
Daniela tenta passar segurança e dar muita atenção para Giovanna, passando o máximo de tempo que pode interagindo com a filha, para que ela não precise chorar por atenção quando a mãe vai daqui até ali. Já Cláudia, para orientar sua filha Clara sobre como se comportar tanto na sua casa como na de seu pai, conversa sempre mostrando como é importante agir com respeito com os mais velhos, e quanto amor isso pode lhe render. Ainda que sejam métodos básicos para o estabelecimento do diálogo entre pais e filhos, as soluções para os problemas de casa estão quase sempre escondidas na relação familiar: basta saber se posicionar.